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quarta-feira, 6 de julho de 2016

O perigo alemão na semifinal

Lance em que o goleiro alemão Schumacher atingiu seriamente o francês Battiston na semifinal da Copa do Mundo de 1982 (fonte: http://www.otempo.com.br/superfc/alemanha-e-fran%C3%A7a-se-enfrentaram-tr%C3%AAs-vezes-em-copa-1.876157)

Hoje Portugal eliminou País de Gales e agora aguarda para ver quem será seu adversário na final entre França e Alemanha, duelo que remete a semifinais memoráveis em Copas do Mundo da década de 1980, quando por duas vezes a Alemanha eliminou a França e chegou a final. Em 1982, na Espanha, proporcionaram um dos jogos mais emocionantes da história das Copas, com uma vitória da selelção alemã obtida somente nos pênaltis após um empate de 1 x 1 no jogo e que terminou 3 x 3 após a prorrogação e só foi decidida nos pênaltis: https://www.youtube.com/watch?v=qBCf-r1ACc4

Difícil fazer qualquer prognóstico, mas a título de curiosidade, vale lembrarmos do histórico alemão em jogos contra o país anfitrião (como a França agora) em semifinais dos principais torneios (Euro e Copa do Mundo). A julgar por este retrospecto, a França corre sério risco. E não estou falando com base “apenas” no fatídico 7 x 1 da Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil se deparou com a Alemanha nessa fase e teve seu maior vexame em toda sua história no futebol. O retrospecto da equipe germânica nessa etapa diante de donos da casa é de fato assustador para o time da casa.

Na história da Euro a Alemanha enfrentou os donos da casa em três oportunidades, e teve sucesso em todas. Em 1972 a seleção alemã enfrentou a anfitriã Bélgica e despachou-a com uma vitória de 2 x 1, com dois gols do artilheiro Muller para chegar à final e faturar o título diante da URSS com uma vitória de 3 x 0.

Oito anos depois, até poderia novamente a Alemanha enfrentar a anfitriã, mas o regulamento daquela Euro determinava que dos dois grupos semifinalista, os primeiros disputariam direto a final e os segundos colocados jogariam a disputa de terceiro, sem que ocorresse uma semifinal. Se o regulamento fosse o comum, a Itália, anfitriã e segunda colocada de seu grupo teria se deparado com a Alemanha.

Mas o feliz histórico alemão continuou em 1992, na Euro disputada na Suécia. Dessa vez, vitória alemã frente os suecos por 3 x 2 com  gols de Hasller e Riedle. Na final, acabou perdendo o título para a surpreendente Dinamarca. Vale a pena ver aqui os gols da fase final dessa Euro: https://www.youtube.com/watch?v=_foryfWWWxo

A terceira semifinal em que os alemães se depararam com os donos da casa foi em 1996 na Inglaterra. E novamente, eliminaram os donos da casa, dessa vez na disputa por pênaltis após um empate de 1x1 no tempo normal e na prorrogação (com gol de Kuntz para a Alemanha): https://www.youtube.com/watch?v=izCKtubriis

E esse feliz retrospecto contra seleções anfitriãs em semifinais praticamente se repete também nas Copas do Mundo, exceção feita há muito tempo, na Copa da Suécia, quando perdeu para os donos da casa por 3 x 1 em Gotemburgo. De  lá pra cá, em outras duas oportunidades enfrentou os anfitriões, e com sucesso em ambas. Além do famoso 7 x 1 em 2014 contra o Brasil, doze anos antes ela enfrentou a Coréia do Sul em Seul também da semifinal com uma vitória por um a zero, para depois perder do Brasil na final.

Curiosamente, esse retrospecto inverteu quando a Alemanha foi anfitriã, já que perdeu jogos na semifinal jogando em casa, seja na Euro (em 1988 contra a Holanda), seja na Copa do Mundo (2006 contra a Itália).

De qualquer forma, o retrospecto alemão contra donas da casa nas semifinais em torneios importantes desde 1972 é para deixar os franceses com a barba de molho: foram cinco vitórias (três na Euro e duas na Copa do Mundo) contra apenas uma derrota no longínquo 1958 na Suécia.

Mas, de qualquer forma, tabus no futebol existem para serem quebrados. A própria Alemanha, para chegar na final, teve que quebrar tabu diante da Itália. Quem sabe não seja a hora da França acabar com esse retrospecto?


Paulo Burian

sábado, 28 de junho de 2014

Alemanha: dá um Klose nela!


Termina a primeira fase em uma Copa do Mundo repleta de grandes jogos, muitos gols, algumas surpresas e com destaque para as poucas seleções que conseguiram confirmar seu favoritismo inicial e se classificaram sem maiores sustos: Brasil, Argentina, Holanda, França e...Alemanha.

Trata-se aqui de uma menção especial. Historicamente seu protagonismo em Copas é inegável. Com três títulos (dois em que venceu seleções então favoritas) e três vice-campeonatos, é a seleção com maior número de jogos me Copas, mesmo com menos participações do que o Brasil (não jogou em 1930 e em 1950).

Além disso, duas das partidas que estão entre as mais emocionantes da história das Copas teve a Alemanha em campo. A primeira foi na semifinal de 1970, contra a Itália. No tempo normal, a Itália saiu na frente no inicio do jogo e segurou até o finalzinho do jogo, quando a Alemanha conseguiu finalmente empatar. Na prorrogação, cinco gols, viradas e emoções em trinta minutos, que contou ainda com Beckembauer jogando (e muito) com o ombro imobilizado desde os 25 minutos do 2º tempo. Final, 4 x 3 para a Itália, no que foi considerado, para muitos, o “jogo do século”. Vale a pena conferir:

Doze anos depois, outra semifinal heroica, desta vez contra a França. Outro 1 x 1 no tempo normal e desta vez, após a França abrir 3 x 1 na prorrogação, a Alemanha foi buscar o empate e conseguiu passar para a final após as cobranças de pênaltis. Outro jogo épico que pode se repetir nas quartas-de-final desta Copa, caso ambas passem pelos seus adversários africanos:

Até 2006, a Alemanha tinha o artilheiro de todas as Copas, Gerd Muller com 14 gols marcados entre 1970 e 74, quando Ronaldo superou totalizando 15 gols marcados nas Copas de 1998, 2002 e 2006.

Agora outros dois alemães podem dar o troco. Um é outro Muller, o Thomas, que embora esteja ainda com 8 gols, tem apenas 24 anos e com pelo menos duas Copas a mais para disputar (fora a atual), tem condições para superar posteriormente os 15 gols.

Outro merece destaque especial. Trata-se de Miroslav Klose. Polonês de nascimento, naturalizado alemão, entrou no emocionante jogo contra Gana na primeira fase desta Copa do Mundo e com poucos minutos já igualou o recorde atual de 15 gols. Poderá ter oportunidades para ultrapassar o Ronaldo ainda nesta Copa do Mundo.

Embora nem de longe tenha a mesma categoria para fazer gols, em caráter supera muito o brasileiro. Além de artilheiro, o atacante deve ser um dos jogadores que mais fez na prática pelo tão propagado “fair play” na história do futebol. 

Em 2005, jogando pelo Werder Bremen pelo campeonato alemão, após cair na área em uma disputa de bola com o goleiro adversário e ver o árbitro marcar pênalti, avisou-o que não havia sofrido falta, abrindo mão do pênalti injusto.

Em 2012, repetiu a dose jogando pela Lazio contra o Napoli no campeonato italiano. Após ver seu gol marcado com a mão validado pelo árbitro, avisou-o sobre a irregularidade no lance, que foi invalidado imediatamente, de baixo de aplausos da torcida rival para sua atitude.



Por isso, ainda que o Ronaldo seja brasileiro (sem muito orgulho e tampouco amor), torço para que o Klose marque mais uma vez e supere o recorde. Para o bem do futebol, um jogador com essas qualidades tão raras hoje em dia merece muito ter seu nome ligado à história das Copas. E que o salto mortal que usa para comemorações seja o símbolo da dignidade não só na bola, mas na vida.